Assaltos a ônibus, arrastões em casas e policial baleado. Esses foram assuntos que predominaram nas rodas de conversas dos natalenses durante essa semana. O clima de insegurança, aliado ao medo de ser a próxima vítima, obriga a mudança de hábito de moradores de alguns bairros, como Cidade Satélite e Candelária. Portões eletrônicos, cercas elétricas e até mesmo a contratação de segurança privada são algumas das alternativas encontradas pela população com o objetivo de tentar se proteger da criminalidade.
júnior santos
Walter Canoto não conversa mais com vizinhos na calçada da casaEm 1981, Walter Canoto, de 87 anos, foi morar no bairro de Cidade Satélite, zona Sul de Natal. Àquela época, conta, era comum os vizinhos colocarem cadeiras nas calçadas para uma conversa amigável. “Hoje, só fico sentado na área, com os portões trancados. Ninguém tem coragem de ficar na rua. É muito perigoso”, compara. O aposentado já presenciou a própria filha ser assaltada em frente de casa. “Levaram o celular dela. Não pude fazer nada”.
Na mesma rua onde Walter mora – Serra Camapuã –, a professora Fátima Alves, 54 anos, conta que os relatos sobre assaltos são constantes entre os vizinhos. “Praticamente toda semana ouvimos alguma história de alguém que foi assaltado ou teve a casa arrombada. Aqui mesmo, semana passada, levaram a bicicleta de um menino que passeava na rua. A falta de segurança é terrível”, diz.
A professora mora com filho e nora. Com o objetivo de tentar inibir a ação dos bandidos, algumas medidas foram tomadas. “Colocamos portão eletrônico, grades nas portas e janelas. Também mandamos, periodicamente, podar as árvores que ficam na frente da casa. Antes de sair de carro, sempre olho como está o movimento na rua”, conta Fátima.
Candelária assustada
Também na zona Sul da cidade, no bairro de Candelária, o medo de ser mais uma vítima dos bandidos faz com que a população tenha cuidados antes ignorados. Locais públicos como a Praça dos Eucaliptos, mesmo com boa iluminação, são pouco utilizados pela população durante a noite.
Por volta das 20h30 da última quarta-feira, a reportagem da TRIBUNA DO NORTE esteve no local e constatou que todos os postes de iluminação estavam funcionando, porém, poucas pessoas frequentavam o local. Uma delas, era a coordenadora pedagoga Iara Maria, de 32 anos. Acompanhada do namorado, Iara passeava com seu cachorro. “Nem sempre os postes estão funcionando, mas, mesmo com a luz, os assaltos acontecem. Às vezes é durante o dia mesmo”, relata.
Iara mora próximo à praça e conta que há um ano foi vítima de uma tentativa de assalto. Após o episódio, a família de Iara passou a tomar alguns cuidados. “Antes de chegar, sempre ligamos para alguém abrir o portão. Também colocamos portão eletrônico”.
No mesmo bairro, na rua São Januário, encontramos uma família que, devido a violência, viu-se obrigada a onerar o orçamento doméstico. Além das contas de água, luz e telefone, mais uma despesa: segurança privado. A dona de casa Maria da Conceição, 54 anos, conta que já recebeu a “visita indesejada” dos bandidos em sua casa. “Depois que isso aconteceu, decidimos pagar um vigia. Sei que não resolvo o problema completamente, mas a família se sente mais segura”, diz. Pelo serviço de monitoramento durante a noite, é pago R$ 100 mensalmente.
Fonte: Tribuna do Norte
sábado, 15 de janeiro de 2011
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