
Uma calamidade. Essa é a descrição do Instituto Técnico-Científico de Polícia (Itep) feita pelo perito do laboratório de toxicologia Fabrício Fernandes. O perito, também diretor diretor do Sindicato dos Policiais Civis e Servidores da Segurança Pública (Sinpol), afirma que a estrutura do Itep é precária e não oferece condições para atender às demandas do órgão. "A situação é a seguinte: chega um cadáver, nós fazem a necrópsia e, se a família não vier logo buscar, o corpo apodrece aqui, porque não há geladeira para guardá-lo", disse. Cerca de quinze corpos estão no pátio interno do Itep, a céu aberto, dentro de caixões do órgão. Fabrício denuncia que a geladeira está quebrada há dias.
Enquanto isso, os funcionários do órgão mantiveram a greve, deflagrada há uma semana, mesmo após o governo do estado ter feito pagamento das gratificações de plantões dos servidores do no último sábado. Eles realizaram na tarde de ontem um ato público em frente à sede do órgão para reivindicar melhores condições de trabalho, além de de protestar pela regularização do pagamento das gratificação de plantão e adicional noturno e pela implantação do estatuto do Itep.
"Nós temos aqui um laboratório desativado porque desde o início dessa gestão não se compra material, não temos insumos básicos para trabalhar. O cromatógrafo (equipamento que identifica e quantifica a presença de álcool no sangue, por exemplo) está sem gás há meses, não há mais espaço nos freezers para guardar vísceras que têm que passar por análise. Isso aqui está uma calamidade", disse Fabrício Fernandes.
Outro problema grave, denunciado pelo diretor do Sinpol, é a perda de material de perícia que deveria estar guardado para realização de contraprova a partir de pedido judicial. "Aqui ficam amostras de material que já foi periciado e serviram como elementos de investigação em crimes, como amostras de sangue e esperma, em casos de estupro, por exemplo. Nós fazemos a análise e guardamos uma amostra para, caso o juíz solicite, refazer essa análise. Todas as amostras de 2008 para trás foram perdidas porque as geladeiras quebraram", disse.
Após a manifestação em frente ao órgão, os servidores seguiram em carreata rumo à governadoria, para tentar uma audiência com a governadora. "Não fomos recebidos, mas vamos continuar nossa mobilização até sermos ouvidos", disse a presidente do Sinpol, Vilma Marinho. A reportagem do Diário de Natal tentou falar com o chefe da Casa Civil, Paulo de Tarso, mas ele não atendeu as ligações.
Fonte: DNonline
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