Não bastasse as dificuldades estruturais da rede pública de ensino, doutorandos do curso de Engenharia de Materiais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) foram surpreendidos na manhã de ontem, ao ter o Laboratório de Plasma, localizado no campus central, 'invadido' por dois funcionários terceirizados, que arrancaran uma parede de fibra, onde estavam conectados tubulações de gases, reatores de alta tensão, inclusive um reator no valor de US$ 41 mil. A ação dos funcionários teria sido autorizada pelo doutor em física Carlos Chesman de Araújo Feitosa, porém, ele não justificou o motivo da atitude. O caso foi registrado pela segurança interna do campus.
Por volta das 10h de ontem, cinco alunos que realizavam experiências no Laboratório de Processamento de Materiais por Plasma, do Departamento de Física do Centro de Ciências Exatas e da Terra (CCET), tiveram as atividades interrompidas quando os dois homens invadiram asala portando marretas. Sem informar o que iriam fazer no local, eles começaram a arrancar a parede de fibra que divide a sala, ao mesmo tempo que estavam sendo realizados experiências com gases inflamáveis do tipo metano e hidrogênio, além de reatores de alta tensão estarem ligados, o que apresentava um alto risco de explosão no local. O custo médio dos equipamentos danificados pode variar entre US$ 1 mil e US$ 41 mil.
O supervisor da Divisão de Segurança Patrimonial (DSP) da UFRN, Francisco Martins, explicou que, ao chegar ao local, os homens comunicaram que o professor do departamento de física Carlos Chesman teria autorizado a ação. Além disso, Martins relatou que entrou em contato com o professor Claudiomiro Alves Júnior, responsável pelo laboratório e que registrou a ocorrência junto a DSP. A aluna Laura Camila Diniz, do curso de Engenharia de Materiais da UFRN, informou que os funcionários danificaram a instalação geral onde ficavam os equipamentos e um reator que era utilizado nas experiências com plasma.
Ela informou também que, devido à situação ocorrida no laboratório, alguns ficaram impedidos de apresentar seus trabalhos de conclusão de curso, uma vez que suas pesquisas foram totalmente danificadas. "Nós (alunos) pedimos para desligar os equipamentos, mas eles não nos deram ouvidos e ainda disseram: Se explodir é bom que morre todo mundo unido", declarou.
A equipe de reportagem do Diário de Natal entrou em contato com o professor de física Carlos Chesman, acusado de ser o responsável pelo episódio, porém, ele não quis conceder entrevista. Apesar de ter sido encontrado conversando nos corredores do departamento de física, ele afirmou que estava com muito trabalho para resolver. Antes de entrar em sua sala de trabalho e fechar a porta, disse em voz alta para alguns alunos que estavam presentes "vocês têm é que aprender a respeitar o professor".
Fonte: DNonline
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